Deve-se à genialidade do pintor Almada Negreiros a fórmula que resolve numa equação enigmática a individualidade humana e o mistério do amor unitivo. No seu 1+1=1, resume-se o princípio que na química se manifesta quando o dióxido de carbono, inoculado num líquido, perde as suas propriedades próprias e assume as do próprio meio onde se espraia. É assim a união carnal, liquefazendo-se ambos, num extâse criador. «Tu és tu, porque é assim que és», disse ele, complacente no vértice de uma vulgar tragédia. Eu sei, pensei eu, espectador da vida, mineralizado em conceitos, és apenas um número, a tua angústia o não saberes se, ao sê-lo, és o máximo divisor, se o menor denominador comum. Um número, apenas isso. O número perfeito, irracional, o número de ouro, a extrema razão.
Uma outra revista a ler: “Portugalidade: Identidade, Cultura e Alma Lusa”
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Sob o título genérico de “Portugalidade: Identidade, Cultura e Alma Lusa”,
publicam-se neste número da Revista *Super Interessante* catorze ensaios
qu...
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