O português naquela sua fusão rural do animal à terra, trai-se quando fala. Acontece com advérbios de lugar que se tornam como complementos pessoais. É o «você ainda há-de vêr o que é um caldo de galinha feito cá pela minha senhora». É evidentemente que o cá tem propósito e duplamente propósito no «para cá do Marão, mandam os que já cá estão». Mas o «cá da minha senhora», é outra coisa e um outro mundo, é o sentido e o afecto do «cá das minhas», esse mundo de intimidade familiar partilhado na mesma cama, sofrido na mesma malga, sepultado no mesmo chão.
Uma outra revista a ler: “Portugalidade: Identidade, Cultura e Alma Lusa”
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Sob o título genérico de “Portugalidade: Identidade, Cultura e Alma Lusa”,
publicam-se neste número da Revista *Super Interessante* catorze ensaios
qu...
Há 19 horas