A ideia da geometria surge quando o homem projectou no espaço circundante o que, amarfanhado, lhe vinha atroando na cabeça. Revolvia ele imundo a terra, boi e humano agarrados a um arado, o acre do corpo suado misturando-se com a frescura dos campos esventrados. Cumpria-se, com o íntimo entardecer, mais um dia de labuta pelo pão. De súbito, eis a abóboda celeste envolvendo-o e como nela pregadas, as estrelas tacteantes. Anoitecera. Esgotado como animal de carga, o homem, vazio e sem vida, achou o incompreensível. Ante o infinito do firmamento, estendeu a linha recta da sua vida. Achara o primeiro conceito. Faltava-lhe o segundo, e ainda falta: o ponto final que ele não acha, e por isso teima em viver, na ânsia de o encontrar.
Um poema às árvores sagradas, e aos plátanos da avenida das termas de
Caldas do Moledo, escrito junto ao rio Douro.
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No meio dum caderno diário de bolso de 76 páginas escrito em 2010 na serra
da Estrela e numa peregrinação ao rio Douro encontrei quatro poemas. Passo ...
Há 5 horas